Geoeducação e Estilo de Vida Saudável: Ensino – Aprendizagem e Metodologias Ativas

Na quarta (27), a mesa redonda do I Curso Universidade de Verão trouxe na programação o tema: “Geoeducação e Estilo de Vida Saudável: Ensino – Aprendizagem e Metodologias Ativas” no IU-Á Hotel em Juazeiro do Norte.

Compondo a mesa estavam as palestrantes: Janaina Medeiros, do Geoparque Seridó – RN, e Neuma Galvão, coordenadora de Educação Ambiental no Geopark Araripe. Neuma iniciou discursando sobre os nove geossítios e as ações que foram realizadas nesses ambientes: Ponte de Pedra, Batateiras, Cachoeira de Missão Velha, Parque dos Pterossauros, Pedra Cariri, Pontal de Santa Cruz, Riacho do Meio, Colina do Horto e Floresta Petrificada. Também comentou sobre a importância das metodologias ativas para a educação em sala de aula e como trabalhar alternativas para tornar a aula mais dinâmica e chamar atenção dos alunos.

Janaina Medeiros apresentou o projeto: Os Cinco Sentidos do Geoparque Seridó/RN: Geodiversidade, Geopatrimônio, Geoconservação, Geoeducação, Geoturismo, falando sobre a história de surgimento, dificuldades e ações realizadas. Seridó contempla seis municípios na região, são eles: Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas e Parelhas.  Conta ela, que o projeto precisava de uma autorização jurídica para concorrer ao edital (Fundo da Infância e Adolescência) nº 001/2018 no município de Currais Novos/RN, e necessitava de CNPJ para funcionar de fato e “sair do papel”. Como o mesmo possuía os atributos necessários, por ter a proposta de uma nova forma de gestão territorial a partir de educação, conservação e geoturismo, foi chancelado/apadrinhado pela ASPOSBERN (Associação dos Pais e Pessoas com a Síndrome de Berardinelli do Rio Grande do Norte) para que pudesse concorrer ao edital, conseguindo êxito na seleção.

A síndrome de Berardinelli vinculada ao nome da associação, teve origem por conta da grande recorrência de casos da doença no Rio Grande do Norte. Que podem ter sido influenciadas pelos muitos casamentos consanguíneos (entre parentes da mesma família) realizados no século XVIII, o que aumentava os riscos de má formações e síndromes nas crianças.

A doença tem em suas características a falta de tecido adiposo na face, dorso, tronco e em outras áreas, além da diabetes Mellitus e outros sintomas. Na década de 1980, com o apoio do médico pediatra Dr. Ney Fonseca, as senhoras Virginia Kelly e Maria Vasconcelos decidiram criar a primeira e única associação do país, que catalogasse e estudasse informações da síndrome, a causa e o que acontece com os portadores, tendo o apoio de pesquisadores que analisam amostragem de grupos estudados desde a infância.

Medeiros coordena o projeto com a equipe pedagógica das escolas em que ele atua. O projeto Cinco Sentidos promove oficinas, palestras, maquetes, produções audiovisuais, reportagens, depoimentos, cordéis e outros, recursos que promovem a sua divulgação. Teve sua primeira versão em sala de aula em 2017, com a participação de 74 alunos dos quintos anos da Escola Municipal Ausônio Araújo, no município de Currais Novos, segundo a representante do Rio Grande do Norte.  Tem como principal missão fazer as crianças se sentirem pertencentes e conhecedoras dos geossítios.

Janaina afirma que muitos jovens tem uma renda baixa e o projeto procura firmar parceria com os geossítios visitados para que haja liberação da taxa de visitação ou diminuição da tarifa. O Cinco Sentidos tem foco em escolas municipais e estaduais, atuando nos colégios desde 2017, os alunos participantes das ações criam tanto amor pelo trabalho que acabam se tornando monitores e disseminando os objetivos. “Quando chego as escolas, me deparo com um trabalho realmente magnífico”, afirma Medeiros.

E constata que a cada ano aumenta o engajamento de jovens na causa, segundo ela, em 2017 eram 74 alunos, em 2018 esse número cresceu para 125 crianças, com o auxílio de seis monitores. As ações realizadas proporcionam a experiência na extensão, inclui além de colégios públicos, os particulares, a terceira idade, a elaboração de geopiquinique, em que se degustam produtos dos geossítios e se aprende sobre eles e oficinas de geoprodutos, os chamados produtos da terra que são fabricados com matéria prima da natureza.

A representante do Seridó fala com orgulho em fotos e dados do quanto viu o projeto crescer, em um período de agosto de 2017 a dezembro de 2018 foram 1351 adolescentes e comunidades contemplados com as ações. Diz também que a recompensa que recebe é ver as escolas começarem a realizar as ações por si, sem precisar do “start” do projeto Seridó.

Atuou em 7 escolas e 1 instituição de agosto de 2017 a dezembro de 2018. E no ano de 2019 irá atuar em 4 escolas municipais no município de Currais novos, e na 27° campanha ambiental do município de Parelhas que conta com 25 escolas.