Museu de Paleontologia é reaberto com exposições mais interativas e didáticas

Um ambiente mais interativo, aliando a cultura e a ciência num só ambiente. O Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens – da Universidade Regional do Cariri (URCA), foi reinaugurado na noite desta quarta-feira, 17, em solenidade realizada no local, com nomeação do diretor Sérgio Vilaça, pelo Reitor da URCA, Patrício Melo. O cargo do dirigente do Museu foi criado recentemente, depois de décadas de luta para a conquista.

Na ocasião foram realizadas homenagens ao ex-reitor da URCA, ex-diretor e criador do Museu, Plácido Cidade Nuvens, que também passou a ter seu nome na rua de um dos equipamentos mais importantes da paleontologia brasileira. Estiveram presentes diversas autoridades, como pró-reitores, professores da Universidades, autoridades políticas regionais, artistas e cientistas. O evento contou com a presença de grandes nomes da paleontologia brasileira, a exemplo do Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ), Alexander Kellner, uma das maiores autoridades em estudos de pterossauros do Brasil, atual diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

A solenidade de inauguração contou com a Banda Música Municipal, com apresentações de repertório em homenagem ao Professor Plácido, além de execução dos hinos nacional e municipal. O grupo de meninos da Orquestra Kariús realizou apresentação de vasto repertório para o público presente.

O Museu passa a ter uma nova configuração, com quatro exposições, valorizando o aspecto didático e interativo com o público. Os fósseis distribuídos em vários pontos do primeiro andar do museu, podem ser observados de forma mais detalhada, com lupas disponíveis para essa finalidade.

Patrimônio do povo cearense

O Reitor da URCA agradeceu a todos que contribuíram para o sucesso do trabalho e disse estar muito emocionado com essa homenagem a Plácido Cidade Nuvens, destacando as conquistas e a justa homenagem na denominação do espaço. A representante da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Inovação (Secitece), Nágela Drummond, reafirmou a importância do fundador do museu, como um grande visionário que entendeu o que poderia estar acontecendo décadas depois de criar o espaço. “É um patrimônio do povo cearense”, pontua.

O diretor do Museu, Sérgio Vilaça, agradeceu a toda equipe que colaborou na elaboração do projeto para esse trabalho, em especial aos funcionários, e o curador do Museu, Professor Álamo Saraiva, além da administração da URCA e o os artistas. Ele ressaltou a contribuição de todos na construção de um diálogo para culminar na atual configuração do Museu.

O diretor do Centro de Artes, Rubens Venâncio, ressaltou a participação dos 12 artistas nos trabalhos que estarão na exposição Fossilis, com a reafirmação de uma posição artística e política, de não entrar num cenário artístico de intervenção dos espaços.

A reformulação das áreas foi realizada por meio do Geopark Araripe da URCA. De acordo com o seu coordenador, Nivaldo Soares, o Museu de Paleontologia tem uma grande relevância dentro do território, envolvendo desde a atração turística para a cidade de Santana do Cariri, como espaço educativo, informativo e despertando as pessoas para o sentimento de pertencimento.

images/stories/museu reaberto em santana do cariri 3.jpg

Novidades em maio

Além da reabertura do Museu neste momento, o Reitor da URCA ainda ressaltou que outras melhorias estarão em andamento, como a reabertura da biblioteca do espaço, sala para as crianças com atividades educativas nas áreas de geologia e paleontologia, entre outras melhorias, previstas para serem concluídas em maio do próximo ano. Ele ainda destacou a sua expectativa na aprovação do Mestrado em Paleontologia, que está em processo de avaliação.

No momento, conforme o Reitor Patrício Melo, dois pós-doutores em Paleontologia realizam pesquisas no Museu, o que representa, segundo ele, um grande avanço para a área na região. E mais quatro réplicas, feitas com rigor científico, passarão a compor o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, que atualmente é um dos mais visitados do Cariri e do Estado do Ceará, e um dos mais importantes do Brasil. “Um trabalho tecnicamente irretocável, com as cores, a forma de contar a história, e o memorial, com um espaço maior, em homenagem ao Plácido. A parte da paleontologia, com o que há de mais importante”, disse o Reitor.

A Professora Wanda Nuvens, irmã do ex-Reitor da URCA, agradeceu a homenagem a Plácido Cidade Nuvens, e disse que, em nome da família, estava muito sensibilizada e agradeceu a todos por fazer do seu irmão um imortal. “É uma alegria imensa. Vocês imaginam Plácido como o homem, e como irmão ele foi muito grande para a gente e deixou uma lacuna imensurável”, afirma. Na ocasião, foi assinada a nomeação do diretor do museu, além do convênio entre a Fundetec e o Museu de Paleontologia.

Diversidade e riqueza fossilífera

images/stories/museu reaberto em santana do cariri 1.jpgNessa nova configuração o Museu apresenta quatro espaços expositivos diferenciados. A parte superior abriga a exposição permanente de fósseis. Nessa galeria os fósseis estão divididos em espécies vegetais e animais. São cerca de 300 peças em que se demostra a diversidade e a riqueza da Chapada do Araripe.

O Memorial Plácido Cidade Nuvens apresenta uma linha do tempo que traça um paralelo entre a história do Museu, desde a sua fundação, e a trajetória profissional do seu fundador, Plácido Cidade Nuvens.

O salão inferior do Museu, abriga as exposições temporárias. Atualmente apresenta o projeto Fossilis. Nessa exposição participam dois artistas do Cariri, que realizaram o trabalho inspirado na riqueza geológica, paleontológica e cultural da Chapada do Araripe. O quarto espaço expositivo é o território lúdico, onde se encontram esculturas inspiradas nos pterossauros do Cretáceo. Nesse espaço se encontram o laboratório de paleontologia, a biblioteca, lojinha e o café do museu.

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, destacou o trabalho realizado como fantástico. Ele disse que esse é um exemplo de quando uma pessoa tem um sonho e consegue realizá-lo, que é o do fundador do Museu. “Existem pequenos municípios que lutam para fazer um museu, e esse deu certo. Mas acho que quando se tem um desses e pode ser feita essa inauguração bacana, mesmo com alguns revezes, você transmite uma imagem positiva para o resto do País, de ter mais museus de fósseis. É uma das grandes conquistas”, afirma.